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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Programa de Biodisel beneficia mais de 105 mil familias

Roberto Vasconcelos planta soja há mais de 20 anos em Indápolis, distrito de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Ele e mais de 105 mil famílias em todo o Brasil contribuem e são beneficiados com o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), uma iniciativa interministerial, criada em 2004, que atribui ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) a responsabilidade de operacionalizar a inclusão produtiva e qualificada dos agricultores familiares na produção do biodiesel.

As espécies vegetais utilizadas e com potencial para a produção do combustível renovável são soja, dendê, mamona, girassol, canola e gergelim, entre outras. E é a soja que Roberto planta e comercializa, a fim de melhorar a renda e ajudar a esposa e os três filhos, todos estudantes. “Estou na agricultura familiar há mais de 20 anos, é uma herança do meu pai. Ele plantava e eu, aos 16 anos, comecei a plantar, também”, lembra o produtor, que tem a ajuda de outros agricultores em sua produção. “Uma vez ou outra, minha esposa dá uma mão na hora do plantio”, completa.

Roberto Vasconcelos é, ainda, presidente da Associação dos Produtores Rurais da Agricultura Familiar do município de Indápolis e região (Aproaf). “É uma associação pequena”, diz o agricultor, que há dois anos planta soja especificamente para empresas que produzem biodiesel. Ele explica que vende seu produto para cinco empresas – duas produzem o combustível. “Temos um bônus em cima do valor da venda, quando a empresa utiliza a nossa soja para o biodiesel”, comemora o produtor.

Números

Dados de 2011 mostram que a agricultura familiar foi beneficiada por quase 70% de usinas em todo o Brasil, que produziram 2,5 bilhões de litros/ano. Para isso, foi utilizado 1,9 milhão de toneladas de matéria-prima da agricultura familiar. “O agricultor familiar que participa do programa tem acesso garantido ao mercado, apoio total da indústria e garantia de renda ao final da safra”, considera o coordenador-geral de Biocombustíveis da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA, André Grossi Machado. “O agricultor tem um contrato com a usina que paga o preço de mercado e garante um preço mínimo do produto para ele”, pondera.

A Região Centro-Oeste, onde fica o município de Roberto, possui 19 usinas produtoras e detentoras do Selo Combustível Social, que confere à empresa o status de promotor da inclusão social da agricultura familiar.

Sobre o Biodiesel
O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) visa promover a produção e uso do novo combustível em diversas regiões, a inclusão social e o desenvolvimento regional, gerando emprego e renda para o agricultor familiar.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) concede o Selo de Combustível Social aos produtores de biodiesel que geram essa inclusão social aos agricultores familiares e possibilitam a eles acesso a melhores condições de comercialização do biodiesel e alíquotas reduzidas do Programa de Integração Social (PIS/Pasep) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Fonte: MDA
Postado por: Dálety Castro,Veridiana Sasanowicz

Óleos Vegetais e Biodiesel no Brasil

   As primeiras referências ao uso de óleos vegetais no Brasil datam da década de 1920. Posteriormente, algumas pesquisas foram desenvolvidas no Instituto Nacional de Tecnologia, no Instituto de Óleos do Ministério da Agricultura e no Instituto de Tecnologia Industrial de Minas Gerais. Neste último, em 1950, registraram-se estudos sobre o uso dos óleos de ouricuri, mamona e algodão em motores diesel de 6 cilindros.
   A partir dos anos 70, quando o crítico cenário energético mundial nos instigou a reduzir a dependência de petróleo importado, as pesquisas sobre óleos vegetais ganharam novo impulso.
     Em 1980, a Resolução nº 7, do Conselho Nacional de Energia, instituiu o Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos (Proóleo). Entre outros objetivos, pretendia substituir óleo diesel por óleos vegetais em mistura de até 30% em volume, incentivar a pesquisa tecnológica para promover a produção de óleos vegetais nas diferentes regiões do país e buscar a total substituição do óleo diesel por óleos vegetais. Neste período, o país produzia cerca de 15% do petróleo consumido e os preços internacionais eram os mais elevados de toda a história, resultantes do segundo choque do petróleo. Nos primeiros anos, deu-se maior atenção à soja. A partir de 1981, ao amendoim, e em 1982 à colza e girassol. Em 1986, a ênfase passou ao dendê. A meta era, em cinco anos, produzir 1,6 milhão de metros cúbicos de óleos para fins energéticos. Contudo, a viabilidade econômica era questionável: em valores para 1980, a relação de preços internacionais óleos vegetais/petróleo, em barris equivalente, era de 3,30 para o dendê; 3,54 para o girassol; 3,85 para a soja e de 4,54 para o amendoim. Com a queda dos preços do petróleo a partir de 1985, a viabilidade econômica ficou ainda mais prejudicada e este programa foi progressivamente esvaziado, embora oficialmente não tenha sido desativado.
    Também no início dos anos 80, a Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comércio (STI/MIC), desenvolveu e lançou o Programa Nacional de Alternativas Energéticas Renováveis de Origem Vegetal, com algumas linhas de ação relacionadas aos óleos vegetais combustíveis, que levaram ao Programa OVEG, voltado especificamente para a comprovação técnica do uso dos óleos vegetais em motores ciclo Diesel, com a participação de institutos de pesquisa, órgãos técnicos do governo federal, fabricantes de motores, fabricantes de óleos vegetais e empresas de transportes. Foram desenvolvidos testes com ésteres puros (metílico e etílico) e misturas com 30% de éster metílico de óleo de soja, matéria-prima selecionada por sua maior disponibilidade.
    Em 1985, o Secretário de Tecnologia Industrial do MIC, Lourival Carmo Mônaco, afirmou com relação à substituição do diesel: “do ponto de vista técnico, está comprovado que os óleos vegetais constituem o substituto mais adequado, por não exigirem grandes modificações nos motores e apresentarem alto rendimento energético, segundo demonstraram inclusive testes de rodagem em caminhões e ônibus que acumularam mais de um milhão de quilômetros percorridos”. Quanto às limitações e benefícios, constatava: “embora os custos de produção e de transformação, calculados com base em culturas oleaginosas tradicionais de ciclo anual, sejam atualmente desfavoráveis em relação aos derivados de petróleo, não há dúvida de que os óleos vegetais extraídos de culturas perenes, pouco ou ainda não exploradas no país, poderão representar uma possibilidade interessante na substituição parcial ou total das frações mais leves do petróleo, principalmente o óleo diesel. Ademais, sua produção maciça irá resultar em grandes benefícios sociais decorrentes do alto índice de geração de emprego por unidade de capital investido”.
    No início dos anos 80, como resultado dessa primeira fase do biodiesel no Brasil, a empresa cearense Produtora de Sistemas Energéticos (Proerg) obteve a primeira patente brasileira de biodiesel, e produziu cerca de 300 mil litros de biodiesel utilizados nos testes. Essa empresa também desenvolveu um querosene aeronáutico à base de óleo vegetal, homologado no Centro Técnico Aeroespacial (CTA) em 1983.

Fonte: BiodiselBr
Postado por: Edgar L.

Biodiesel Energia Renovável


Postado por: Nicolas P.